A epidemia do Coronavirus não estava na lista de preocupações do Te Liga porque achávamos que o assunto seria exaustivamente tratado pela prefeitura, pelos hospitais e pela imprensa canelense. Mas a gente se enganou.  Estamos hoje diante de uma situação onde pior do que os efeitos do vírus são as consequências da desinformação e da falta de informação na cidade.

Por isto decidimos entrar na questão porque é público que, mais cedo ou mais tarde,  a doença chegará à Canela. Alguns casos já ocorreram,  mas as autoridades ainda se mostram pouco reativas e os jornais impressos tratam a epidemia como se fosse algo distante. O que disparou a nossa preocupação foi uma simples pergunta: A quem a gente pode recorrer aqui em Canela caso alguém suspeite que contraiu o Coronavirus?  Temos instruções do que fazer em Brasília, São Paulo, Nova Iorque, Pequim ou Roma, mas e aqui em Canela? Vamos a um posto de saúde, ao Hospital de Caridade, a alguma clínica privada, ao hospital de Gramado? Onde ir?

É a falta de uma informação como esta que nos deixou com uma pulga atrás de orelha.  Como comunicadores e jornalistas  sabemos que numa epidemia  a gente caminha sobre o fio de uma navalha. Qualquer erro informativo pode gerar pânico coletivo ou mortes desnecessárias se formos pouco realistas e acomodados.  Pânico coletivo pode significar uma corrida às farmácias e às emergências, que não poderão atender a todos, o que inevitavelmente vai deixar gente sem atenção.  Em situações como esta, inatividade equivale à irresponsabilidade em não assumir os desafios que a realidade nos coloca.

O Coronavirus nos mostra de forma brutal que as distâncias geográficas sumiram no caso de epidemias de doenças simples, mas altamente contagiosas. A China está a penas 20 horas de voo de Canela. O que era visto como um problema global passou a ser local. Isto é real e não adianta fingir que não é. Canela não é uma ilha num mundo globalizado.  As epidemias não respeitam fronteiras e nem as leis de cada país. Também já sabemos que os efeitos da epidemia não são apenas clínicos, mas também econômicos e até sociais.

Temos muitas notícias sobre o que acontece no cenário global, mas estamos vulneráveis em matéria de informações locais. Além da necessidade de sabermos como procurar apoio médico e hospitalar, não se pode deixar de lado os comportamentos novos que teremos que  adotar.  O que fazer num supermercado, num banco ou num restaurante. O que os empresários precisam saber para enfrentar a redução do consumo de determinados bens, a possível queda do turismo, como lidar com a distribuição de alimentos? Enfim, são tantas as perguntas ainda sem respostas que nós decidimos que não podemos ficar de fora numa hora em que a população tanto precisa de informações.

Nós não temos condições de dar respostas a todos os problemas que inquietam a população da cidade, mas é nosso dever perguntar. Isto não ofende ninguém. Pelo contrario é uma ajuda para que a gente consiga enfrentar o coronavirus com um mínimo de perdas para nossa comunidade e nossa cidade. Precisamos acima de tudo saber o que a população acha porque é ela que vai orientar as autoridades na busca de soluções. Por isto começamos com a pergunta: VOCÊ ACHA QUE CANELA ESTÁ PREPARADA PARA ENFRENTAR O CORONAVIRUS?