PARA PENSAR
20 países mais ricos receberão 54% das vacinas anti-Covid
9 em cada 10 países pobres só terão vacina em 2022

Os dados fazem parte de um estudo feito pela fundação dirigida pelo ex-dono da Microsoft, Bill Gates, sobre o aumento da desigualdade entre nações ricas e pobres em consequência da pandemia global de Coronavírus. O desnível chegou a tal ponto que o Canadá já comprou vacinas suficientes para imunizar até cinco vezes cada um dos seus 38 milhões de habitantes, enquanto um bilhão de africanos não tem a menor ideia de quando, e se, receberão alguma vacina.

Migrantes africanos

A pandemia do coronavírus ameaça aumentar ainda mais a já enorme desigualdade entre países ricos e pobres. As 20 nações mais industrializadas do planeta, que formam 14% ( cerca de um bilhão de pessoas) da população mundial, já compraram 54% da produção de todas as vacinas contra a Covid que devem entrar no mercado nos próximos seis meses. Em compensação, os 6,7 bilhões de seres humanos restantes  terão que se conformar com apenas 46% da produção mundial de imunizantes.

Mercado popular na Índia

A longa espera pela vacina

Uma pesquisa da universidade Duke indica que a maioria das nações pobres da África e da Asia provavelmente só receberá vacinas em 2024, ou seja, daqui a quatro anos, período em que o estudo estima podem ocorrer até quatro milhões de mortos estes dois continentes, levando em conta o total de vidas perdidas para o vírus desde março de 2020. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tenta evitar esta catástrofe sanitária por meio do COVAX, uma coalização de 156 países industrializados (menos Estados Unidos e China), preocupada em evitar que a brecha entre ricos e pobres se transforme numa bomba relógio. A COVAX quer convencer os laboratórios que desenvolveram vacinas a dedicar parte de sua produção, dois bilhões de doses, para distribuição na América Latina, África, Ásia e Oriente Médio até o final de 2021.

UTI brasileira

Mas não foi apenas no acesso à vacinação onde a desigualdade de ricos e pobres disparou por conta da pandemia. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Políticos (IPS), com sede em Washington mostrou que os 650 norte-americanos mais ricos do país incorporaram aos seus patrimônios um total de 960 bilhões de dólares (4,8 trilhões de reais) desde o início da Covid-19, em março. Metade desta bolada está nas mãos de apenas 10 superbilionários.

O gueto dos bilionários

O agravamento de desigualdade, por incrível que pareça não ameaça apenas os mais pobres com uma mortandade sem precedentes nos últimos 100 anos. Ela é também um dilema para todo o sistema econômico mundial, incluindo as nações e empresas mais ricas do planeta. Mais miséria significa menos consumo e, portanto, menos receitas para as indústrias e o agronegócio, mesmo que o setor de alta tecnologia continue crescendo vertiginosamente. Também intensifica os riscos políticos decorrentes de um inevitável agravamento da violência, urbana e rural, provocada pelo aumento exponencial no número de pobres e miseráveis.

Marina no principado de Mônaco

Caso este quadro não seja alterado, um trabalho produzido pelo Instituto de Políticas Econômicas (Economic Policy Institute, não governamental e independente) prevê que  o aumento da desigualdade no mundo pode levar os ricos a terem que viver em guetos cercados por indivíduos frustrados pela miséria, e agora também pela contaminação descontrolada por falta de vacinação contra o Coronavírus.

Protesto nos Estados Unidos

A grande pergunta que surge a partir destes dados e fatos é: Será este o mundo que desejamos para nós e nossos filhos? Caso a resposta seja um não, saiba que juntos poderemos mudar muita coisa.

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