MORTE DE CRIANÇA NA SERRA GERA TEMORES SOBRE VOLTA ÀS AULAS EM CANELA

A Secretaria de Saúde do Estado registrou o óbito de uma criança de sete anos de idade nesta quinta-feira (21.01.20121), residente em Alto Feliz, na Serra, por COVID-19. A criança estava acometida pela Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), a doença associada ao coronavírus (COVID-19). Mesmo após o tratamento na UTI o menino veio a óbito dez dias após a internação. A doença possui sintomas como, febre persistente acompanhada de um conjunto de sintomas que podem incluir problemas gastrointestinais, dor abdominal, manchas vermelhas na pele, conjuntivite, erupções cutâneas, podendo apresentar manifestações quatro semanas após a infecção. Segundo os médicos, o COVID-19 em crianças não necessariamente está associada a insuficiência respiratória, pois mesmo assim pode desenvolver uma inflamação generalizada nos órgãos, insuficiência cardíaca e falência dos órgãos.

Diante da pior fase da pandemia, maior letalidade do vírus, número pífio de vacinas no município e os boicotes pelo governo federal na aquisição de vacinas, a Prefeitura de Canela resolveu seguir o plano de volta às aulas, elaborado pelo Estado para o dia 22 de fevereiro. O plano foi denominado de “híbrido”, pois consiste na lotação de 50% das salas de aulas, enquanto os outros 50% dos alunos assistirão as aulas à distância, com revezamento. O sindicado dos professores do Rio Grande do Sul, é contra a retomada das aulas, pois entende que, mesmo com os protocolos de segurança sanitária, a liberação é irresponsável e prematura, pois a possibilidade de ampliar a contaminação nas famílias dos alunos e professores no auge da pandemia é muito grande.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, há fatores que devem ser considerados para determinar o retorno às aulas ou não: a velocidade da transmissão, a gravidade da doença entre crianças e adolescentes, a capacidade de manter medidas de prevenção e controle nas escolas. Além destes fatores, o maior desafio para os educadores do município de Canela será lidar com turmas de alunos em etapas muito diferentes da aprendizagem e combinar atividades presenciais com remotas, sem que isso acarrete sobrecarga de trabalho aos educadores.

Do ponto de vista de saúde pública, a decisão da Prefeitura de Canela de retornar às aulas deve ser baseada na avaliação do risco local, bem como na possibilidade do fluxo de turistas oriundos de outros estados contaminados com a nova cepa (vírus mais grave). Considerando estes riscos, a abertura dos estabelecimentos de ensino pode aumentar a transmissão do vírus nas comunidades mais vulneráveis do município. O prefeito de Canela deve entender que, é um reducionismo a ideia de que o retorno às aulas é fundamental na recuperação econômica local, sem considerar outros fatores indutores da economia.

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