Pessoa dormindo na rodoviária de Canela

CANELA NO MAPA DA FOME E DA POBREZA

Pouco mais de 11% da população de Canela (mais de cinco mil pessoas) passam fome de forma crônica segundo dados da prefeitura e que serviram de base para um levantamento realizado entre 2017 e 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) e divulgado na semana passada (14 a 18/9) .

Segundo o IBGE, nos últimos 5 anos, aumentou em cerca 3 milhões o número de brasileiros sem acesso regular à alimentação básica (insegurança alimentar), chegando a  10,3 milhões o total de domicílios com escassez de comida, no país. Os motivos são diversos: corte nos programas de combate à fome(bolsa família), diminuição da renda média brasileira, desemprego, concentração de riqueza, restrição de acesso aos benefícios previdenciários e etc.
                                                                                                                                           No Rio Grande do Sul a situação é ainda mais grave, pois segundo o Instituto Humanitas Unisinos-IHU, entre 2013 a 2018 a fome aumentou cerca de 47% no Estado. Os dados excluem as pessoas em situação de rua e abrigo, o que pode refletir numa situação mais precária. Para o Instituto de pesquisa da Unisinos, a situação do Rio Grande do Sul se deve ao mergulho do Estado na crise econômica, cortes em investimentos públicos, desemprego e extinção do programa de transferência de renda no ano de 2015 que complementava o bolsa família. A pesquisa identificou que, além de não ter havido aumento de renda dos gaúchos desde 2015 , ocorreu, no mesmo período, uma elevação do custo de vida, o que contribuiu para uma redução drástica do poder de compra das famílias gaúchas.

 Canela não foge a regra, pois a fome se mantém escondida sob o título de cidade “Paixão Natural” ou símbolo do turismo brasileiro. Uma matriz econômica voltada apenas ao turismo, segregou grande parte da população permitindo a criação do cinturão de pobreza e fome na cidade. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social do Município, no mês de julho deste ano mais de 5 mil famílias de canelenses vivem abaixo da linha da pobreza, indicando que elas enfrentam escassez crônica de alimentos.

Muitas famílias estão vivendo sem acesso regular à alimentação na nossa cidade, pois os programas de transferência de renda do Governo Federal contemplam apenas 732 famílias no Município. Um dos fatores que permitiu esta triste realidade social em Canela, foi o fato da Secretaria de Desenvolvimento Social não ter um programa efetivo de combate a fome, por falta de recursos. Em contrapartida, a Prefeitura comprometeu mais de 56 milhões de reais do orçamento público em asfalto entre 2019 e 2020, levando a crer que a fome e a pobreza em Canela não eram prioridades.

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