CANDIDATOS IGNORAM A COVID EM CANELA

Quem já viu ou ouviu as lives dos candidatos a prefeito e da maioria dos aspirantes à Câmara de Vereadores deve ter percebido a total falta de referências a planos sobre como enfrentar as consequências futuras da COVID 19. É como se a pandemia não tivesse existido na cidade e que tudo segue normal.

Parte da explicação para este negacionismo da realidade canelense vem do fato de que nós temos um costume antigo de silenciar sobre situações desagradáveis ou incômodas, algo que é comum a várias cidades do mundo, como mostram os livros do escritor italiano Leonardo Sciascia.

Com conviver com o desemprego?

Mas no caso da COVID 19 não dá para jogar pra debaixo do tapete porque as consequências da pandemia vão nos atingir, a gente querendo ou não. Nos próximos dois anos sentiremos desdobramentos da doença como desemprego, queda da atividade econômica provocada pela crise do turismo e a mudança de hábitos que recém começamos a notar nas ruas e ambientes públicos.

As consequências futuras da pandemia devem nos preocupar, e muito, porque elas vão afetar diretamente a atividade turística que é o ponto forte da economia de Canela. A retomada dos negócios de hospedagem, alimentação e atrações não atingirá os índices existentes antes da pandemia no mundo inteiro, segundo a maioria dos especialistas no setor de turismo, conforme previsões feitas em influentes jornais internacionais como o norte-americano The New York Times e o inglês The Guardian.

A tragédia da aviação e navios de turismo

O temor é de que os negócios do turismo caiam, em média, 40% devido à redução do tráfego aéreo internacional e nacional. A maioria das empresas de aviação está devolvendo ou aposentando aviões por falta de passageiros. Todas as 14 maiores operadoras de cruzeiros marítimos de turismo paralisaram viagens desde abril deste ano e não há previsão de retomada. Nada menos de 14 transatlânticos de grande porte estão sendo transformados em sucata em portos da Turquia e Índia.

Sem deslocamento de turistas, os hotéis e restaurantes sofrem as consequências com o inevitável desemprego de cozinheiros, garçons, atendentes e operadores de serviços turísticos. Isto já está acontecendo aqui na região das Hortênsias, o que se constitui num enorme desafio a ser enfrentado pelos nossos futuros governantes e legisladores.

E nós, como ficamos?

Como vai ficar a vida numa cidade que depende de visitantes. Qual a estratégia a ser seguida? Vamos apostar no turismo doméstico? O que vai acontecer com nossas pousadas? Qual o futuro do comércio voltado para visitantes de fora? São temas onde a população precisa participar pois ela será diretamente afetada. As decisões não podem ficar restritas à prefeitura e aos empresários.

Por isto, o silêncio dos candidatos pode torná-los cúmplices dos problemas que nos esperam. A omissão não resolve nada. Pior do que isto, daqui a alguns meses, no natal já estaremos vendo o preço que teremos que pagar em termos de redução da atividade turística. Precisamos discutir o que fazer com as centenas de canelenses que perderam e perderão seu emprego.

Não se trata de mera estatística ou manchete de jornal. O aumento da pobreza e da frustração social é matéria prima para a criminalidade. Aí a insegurança na cidade aumenta e assusta não só a classe média local como os turistas que ainda tem possibilidade de se deslocar para cá. Isto tudo é material para que população e candidatos aproveitem a campanha eleitoral para discutir as consequências da COVID 19 em Canela e tratem de encontrar soluções concretas. O que vimos até agora foi os políticos glorificando o seu passado individual ou prometendo maravilhas para um futuro, que geralmente só eles veem.

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