A VIDA DE QUEM COMBATE A COVID 19 TODOS OS DIAS

Os grandes heróis na luta contra a Covid-19 são as enfermeiras, enfermeiros e técnicos de enfermagem. São eles e elas que tem contato direto e diário com os doentes. São eles e elas que compartilham as alegrias, medos, lágrimas e dores dos contaminados pela pandemia. O que sentem e pensam estes anônimos “anjos da guarda” de todos nós . É o que nos conta Vanessa Candido, 38 anos, 15 anos de experiência como enfermeira especializada em gestão da saúde, pela URGS.

1) Você já recebeu confirmação da tua data de vacinação? Toda a tua equipe no posto do Carniel vai ser vacinada junto contigo? Quantos são?

R – Considerando todos os profissionais que prestam serviço na unidade somos em 11 profissionais. Ainda não tenho nenhuma informação a respeito das vacinas, não foram passadas datas nem fomos capacitados ainda para a realização da campanha. Recebi alguns planos e estratégias de vacinação por escrito, mas não foi passado mais nada. Acredito que não sejamos ainda contemplados nessa primeira fase.

2) Como tu achas que a vacina vai mudar a tua vida? Tua relação com filhos e marido?

Vanessa e seus dois filhos

R – Pessoalmente acredito que vai mudar minha vida mais na questão psicológica, porque durante todos esses meses sofri essa pressão de saber que eu poderia estar contaminada. A cada espirro, a cada tosse, a cada dor de cabeça (e eu costumo ter enxaqueca) eu sempre penso se dessa vez é o COVID. Isso vai cansando a gente, não tem psicológico que aguente. Será que consulto, será que espero pra ver se vai piorar, e se for? E, principalmente, por saber que podemos estar levando o vírus pra dentro de casa. Durante algum tempo não frequentei a casa da minha mãe que é idosa, mas depois não aguentamos e acabamos cedendo, mas sempre fico pensando que posso estar levando o vírus pra ela. Acho que só vou ficar tranquila mesmo quando ela for vacinada.

3) Depois de seres vacinada, vai dar para sair diariamente de casa para o trabalho mais tranquila, mesmo sabendo que a imunização por rebanho ainda está distante?

R – Acredito que nossa vida por enquanto não vai mudar muito, pois vai bastante tempo ainda pra que possamos falar em imunidade mesmo, no momento a vacina vai ser mais uma tentativa de diminuir mortes, acho bem importante enfatizar isso, pois os cuidados com distanciamento social, uso de máscaras ainda vão por um bom tempo. As pessoas mesmo vacinadas ainda poderão portar formas leves do vírus e, portanto, transmitir. Então a vacina não é um passaporte pra “vida normal”.

4) Qual a percentagem de pessoas que tu atendes ai no posto cumpre com as medidas de proteção (distanciamento, álcool gel e máscara)?

R – Aqui no posto atendemos muitas pessoas que não cumprem as medidas de proteção. Temos inclusive muitas que não cumprem nem o isolamento, então temos muitas pessoas que seguem circulando mesmo com sintomas gripais. É bem angustiante pois por mais que a gente fale e oriente muitos preferem ignorar e seguem transmitindo o vírus. O que as pessoas geralmente dizem é: não é nada, é só uma gripe, eu sempre tenho. Até verem o resultado positivo do exame, aí correm pro posto querendo que a gente faça alguma coisa, teste a família inteira, etc.

5) Como as pessoas reagem ao kit preventivo (ivermectina, cloroquina etc)? Há pessoas que recusam?

R – Em relação ao tratamento precoce o famoso “kit covid” as pessoas geralmente usam, não contestam, pois ele é prescrito pelos médicos. Não vi muitas pessoas recusarem, apesar de não existirem evidências de que ele funcione. Eu particularmente não usaria.

6) A pandemia está conseguindo mudar a relação entre doentes e enfermagem? Se tu pudesses escolher de novo uma profissão, escolherias enfermagem de novo?

R – Na relação da enfermagem com os pacientes muitas pessoas são muito gratas pelo nosso atendimento, acho que a pandemia fez com que as algumas pessoas olhassem diferente pra nós, sinto que os pacientes agradecem mais pelo nosso trabalho. Agora gostaríamos de receber o mesmo tipo de valorização dos governantes também. Muitas vezes ficamos sabendo de fatos através da televisão ou das redes sociais e isso acho um pouco de descaso de alguns gestores. Além claro, da questão salarial. E eu pudesse voltar acho que escolheria ser enfermeira sim, gosto muito do que faço, apesar de estar muito cansada.

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