Você sabia que a água de uma em cada quatro cidades brasileiras está contaminada por  resíduos de 27 tipos diferentes de produtos químicos usados na agricultura? 16 deles são considerados altamente tóxicos pela ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária?  E tem mais, os 11 restantes estudados pela pesquisa podem causar doenças crônicas, como câncer, dar origem a bebês com problemas graves de má formação  e gerar impotência sexual.
O levantamento feito entre 2014 e 2017, em 2.300 cidades brasileiras, pelo SISAGUA, um órgão do Ministério da Saúde, incluiu dados de Canela onde foram identificados dois tipos de agrotóxicos. Veja quais são eles:

Atrazina – um produto químico usado no combate a ervas daninhas em lavouras de milho, cana e sorgo. Na Europa seu uso é proibido porque é considerado altamente tóxico e causador de problemas sexuais, especialmente em homens. É o segundo agrotóxico mais vendido no Brasil, onde seu uso é legal.

DDT –  Apesar de proibido no Brasil, foi identificado em amostras recolhidas em lavouras próximas à Canela, no município de São Francisco de Paula. A Agência Internacional de Combate ao Câncer  (IARC) alerta que o DDT é extremamente tóxico, pode causar câncer nos testículos, na mama e no fígado, bem como reduzir as defesas do organismo humano contra doenças e provocar impotência sexual.  Pode permanecer oculto em órgãos do corpo humano por até 50 anos, antes de causar alguma doença grave.  É o inseticida mais usado no mundo, mesmo com todos estes perigos.            

Os dados do SISAGUA indicam que os dois produtos tóxicos encontrados na água de Canela estão abaixo dos índices críticos estabelecidos pela legislação brasileira, mas a pesquisa não revela como a Atrazina e o DDT foram parar na água que está sendo distribuída pela CORSAN. E a empresa também nunca alertou a população sobre a existência deste tipo de contaminação da água.  

As amostras de água de Canela analisadas pelo SISAGUA foram recolhidos  em 2006 e podem estar hoje acima dos limites legais.  É o que  diz o Centro de Pesquisas em Águas Subterrâneas (CEPAS) , da Universidade de São Paulo (USP), para quem o ritmo de contaminação dos lençóis subterrâneos de água, situados perto de regiões de agricultura em larga escala, cresce em ritmo acelerado por causa do uso cada vez mais intenso de agrotóxicos em lavouras agrícolas, especialmente soja, milho e batata.

O engenheiro agrônomo e professor da Universidade Estadual de Campinas, Mohamed Habib, garante que  “mais de 99% dos agrotóxicos vão para os rios, para o solo, para o ar e para a água subterrânea”. 

A água consumida pelos canelenses é captada pela CORSAN no Poço da Faca, que por sua vez é abastecido pelo rio Santa Cruz, todos em São Chico. O rio está bem no meio de uma região onde o cultivo da batata, milho, pinus, hortaliças e soja  transgênica  ocupa mais de 1.800 hectares na região dos Campos de Cima da Serra.

O engenheiro agrônomo Amilcar Mielniczuk de Moura, funcionário da Secretaria do Meio Ambiente de Canela afirma que nos últimos 15 anos foram lançados mais de 3.800 litros de agrotóxicos em 1.600 hectares de terras plantadas com batata e soja no município de São Chico. Amilcar diz também que o agronegócio instalado na região não respeita o limite de 350 metros entre as áreas plantadas e os riachos ou sangas, o que facilita a contaminação da água que depois vai alimentar o rio Santa Cruz e o Poço da Faca.  

Tudo isto alimenta dúvidas sobre a qualidade da água, não apenas da população, mas também de várias autoridades públicas  como o atual Secretário de Governança, Planejamento e Gestão de Canela, Paulo Nestor Tomasini, que admitiu em julho de 2018,  no programa Radio Box que a água de Canela pode estar contaminada por agrotóxicos.

 

Outro que tem sérias dúvidas sobre a presença de resíduos de agrotóxicos na água de Canela é o Promotor Estadual de Justiça, Paulo Eduardo de Almeida Vieira, responsável por uma série de ações legais para cobrar informações da prefeitura de Canela e da CORSAN. Ele  considera muito grave a ausência de dados recentes sobre a qualidade da água servida aos canelenses.

O representante do Ministério Público Estadual está cobrando da prefeitura de Canela e da CORSAN uma maior transparência na questão da água. Saiba qual a posição do procurador sobre a falta de dados sobre a contaminação da água em Canela. Você pode também conferir porque devemos nos preocupar com os herbicidas químicos na agricultura e a proposta de criação de uma zona livre de agrotóxicos, na serra gaúcha.

Se você deseja obter detalhes sobre os personagens, pesquisas e documentos citados nos textos sobre contaminação da água por agrotóxicos, visite os seguintes sites:

http://dc.clicrbs.com.br/sc/nos/noticia/2018/07/contaminacao-da-agua-por-agrotoxicos-preocupa-pesquisadores-10497532.html  . Notícia de jornal

http://www.site.ajes.edu.br/jornada/arquivos/20140711200049.pdf Trabalho acadêmico sobre contaminação do lençol freático por agrotóxicos

http://www.fernandosantiago.com.br/freatico.htm Blog pessoal de pesquisador e professor de biologia

https://www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2019/04/em-santa-catarina-residuos-de-agrotoxicos-sao-encontrados-em-agua-para-abastecimento/   Noticia publicada na imprensa

https://portrasdoalimento.info/2019/04/12/conheca-os-27-agrotoxicos-encontrados-na-agua-que-abastasse-as-cidades-do-brasil/#  Informe do SISAGUA

https://portrasdoalimento.info/agrotoxicos-mapa/docs/index.html?v=5#_ Mapa onde é possível verificar o grau de contaminação por município brasileiro.

https://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2019/04/agua-de-uma-a-cada-quatro-cidades-esta-contaminada-com-agrotoxicos/  Reportagem sobre o Informe do SISAGUA

https://www.ecodebate.com.br/2012/08/24/agrotoxicos-e-a-poluicao-das-aguas/  Análise sobre contaminação publicada em pagina sobre problemas ambientais

http://www.agrisustentavel.com/toxicos/residuorh.htm  noticia sobre intensidade do uso de agrotóxicos nas lavouras brasileiras e seus consequências na contaminação da água nos lençóis freáticos.

https://contraosagrotoxicos.org/governo-bolsonaro-libera-mais-42-agrotoxicos-hoje/