2020, o ano em que quase enterramos nossos sonhos

2020, foi o ano que parecia ser impossível. Nem em filme de ficção científica imaginaríamos o cenário criado neste ano. Um vírus parou o mundo, colocou todos dentro de suas casas. O medo, o pavor do invisível, tomou conta do planeta. Nos tornamos seres perplexos, de olhos arregalados e coração na pulsação máxima. “O que será de nós?”, foi das perguntas mais feitas.

2020 se mostrou como o ano da virada de vida. Ninguém sairá ileso do 20 + 20. Não houve um convite para a transformação. Aconteceu um empurrão. Te joga nesta novidade! Uma outra vida que sequer sabemos do que se trata. Uma vida com selfies mascaradas, com nossas casas tornando-se espaços públicos no mundo virtual. Já não somos o quê queríamos ser, mas somos o quê conseguimos equilibrar, entre nossas vontades e nossas necessidades.

Nos tornamos seres egoístas com mantos de solidariedade. Tem gente que despe o nariz na máscara. Outros despem o umbigo nas ações do cotidiano. Nossos egos afloraram e apanharam. Provamos o gosto amargo de todo tipo de ausência. Vimos nossos braços chorarem a falta de abraços. Vimos amigos e parentes morrerem. Eles lá. Nós aqui. Vimos nossas crianças privadas da liberdade para brincar com outras crianças. Na luta ingrata contra o vírus não se usa escudos ou espadas. Como os vikings lutariam contra este vírus? Esta guerra só pode ser ganha com informação e ciência.

Nunca se precisou tanto de jornalistas, profissionais da saúde, professores, cientistas, pesquisadores, entregadores nas suas motos. Profissionais, esquecidos no mundo subterrâneo, ganharam os holofotes neste ano. Holofotes tristes digamos, porque estes profissionais dividiram o palco com a morte, a que leva todos, sem avaliar idade, cor, gênero, classe social. A morte e o vírus, juntos no planeta, no Brasil ainda ganharam reforço de um presidente irresponsável, genocida e sádico.

Quem sobreviveu a este ano tem a obrigação de continuar lutando pela consagração da esperança. Precisamos implantar a esperança no nosso cotidiano com urgência. Trazer com ela o respeito ao próximo e à vida. Precisamos sentir vontade de viver, vontade de lutar por um futuro mais justo para todos.

Entramos juntos nesta pandemia. Sentimos de maneiras distintas, mas iremos sair disto mais responsáveis, porque nos mantermos como humanidade depende do nosso poder de agregar e construir um cenário justo para TODOS. E que venha a vacinação em massa!

Por Patricia Viale

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